Adeus!

junho 18, 2010

Nesta data, com algum pesar mas consciênte de que nada mais pode ser feito, este blog e este projeto de associação, urdida em infindáveis conversas com o honorável Massao, deixam de existir.

Sua razão de ser se foi, e agora acentua-se um sentimento de perda que certamente não conhecerá limites, assim como parecem não ter limites os que quando Massao estava vivo, voltaram-lhe as costas e relegaram-no à solidão dos excluídos.

Tendo em vista os movimentos iniciados por estes que agora repentinamente apregoam-se benfeitores zelosos do legado do laureado editor, informo que todo o acervo mantido sob minha responsabilidade por três anos será encaminhado à família de Massao Ohno.  Assim, aos que por ventura queiram ter acesso a informações contidas no mesmo, todo contato deverá ser feito diretamente com a família do falecido editor e respeitável amigo.

Deusdédit R Morais

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Massao Ohno 1936-2010

junho 15, 2010

Massao Ohno (centro) faleceu anteontem aos 74 anos

Massao Ohno: Reiniciaremos tudo novamente?

Devaneio ao Crepúsculo:

textos que Massao escreveu para Tide Hellmeister em 1994:

***Pois é, meu caro. Como diria Drummond, ‘o primeiro amor passou, o segundo amor passou..et la vie continue’.
Trinta anos se passaram e tudo ficou muito mais caótico. Tivemos que criar técnicas mais sofisticadas de sobrevivência,perder a ternura sem endurecer,aprender a dissimular sem mentir, a responder com perguntas, a proferir sem nenhum eco em resposta. Somos os mistificadores do caos. Que os deuses nos poupem. Somos uma hipótese sem tese.Indemonstráveis , portanto”.

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***Brecht aconselhava: ‘Quando tudo estiver perdido,monte um bar.’ Os bares proliferaram e disso nada resultou. Os bêbados é que mudaram.Não se faz mais ébrios como antigamente,sociais, brilhantes, abertos. A bebida, de dionisíaca passou a apolínea. E nada pior do que um etilista frio, individualista, calculista”.
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***Músicos, poetas, pintores,artistas, no geral e no particular,insurgi-vos! O mundo não é apenas um vasto circo de variedades, de consumo frenético. Vive ré um ato prodigioso, uma dádiva a ser desfrutada, segundo a segundo, até a finitude. Á la Lispector; ‘Haverá um dia, em que haverá um mês, em que haverá uma semana, em que haverá um dia, em que haverá uma hora, em que haverá um minuto, em que haverá um segundo, e dentro do segundo haverá o não-tempo sagrado da morte transfigurada. Vida.’

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***Noves fora, zero.
Reiniciaremos tudo novamente?

(De Massao Ohno para Tide, outono de 1994)

fevereiro 24, 2010

Perguntem a toda uma geração de poetas

que já foram jovens quem é Massao Ohno

e eles dirão:

“Era Deus, no tempo em que éramos pe­quenos“.

http://colanogrid.files.wordpress.com/2009/07/118.jpg

[Na foto que ilustra este blog

que aqui se inicia,

vê-se o editor Massao Ohno

e a poeta Hilda Hilst]